Cidades

MEMRIA VIVA

Centenrio do nascimento de Joo Damasceno de S comemorado

16/07/2020 14h45 - Atualizado em 31/07/2020 11h27

Fred Alves

Se estivesse vivo, João Damasceno de Sá teria completado 100 anos de idade no dia 13 de julho de 2020. O maranhense de Carolina chegou a Pedro Afonso com apenas 3 anos de idade, aqui cresceu e se destacou exercendo várias atividades, entre elas, músico, barqueiro, caminhoneiro, vereador e produtor rural.

Para celebrar a importante data, a família realizou um evento que contou com momento de oração, descerramento de placa comemorativa, distribuição de cestas básicas, distribuição de lanche e queima de fogos. O local escolhido foi a casa na tradicional Rua Barão do Rio Branco onde o homenageado morou desde a infância até se casar, e na qual nasceram seus filhos.

Estavam presentes os filhos de João Damasceno – Hermínia, Odina, Ronaldo e João Damasceno de Sá Filho –, além de netos, bisnetos, noras e genros.

“Ele continua junto em nosso meio, diariamente nós da família falamos dele. Só gratidão a Deus pela sua existência. Ele, grande doador de si e de caridade!”, disse Odina ao falar com emoção do pai.

No total, foram entregues 100 cestas básicas, por meio da Fundação João Damasceno de Sá, para instituições sociais de Pedro Afonso e região com Tiro de Guerra, Centro Espírita, Igreja Presbiteriana, Vicentinos, Clube de Mães, Grupo Voz da Mulher, Loja Maçônica Estrela do Planalto nº 12, do qual foi um dos fundadores, Aldeia São José, além de funcionários e amigos da família.

História em Pedro Afonso
 


João Damasceno de Sá nasceu em Carolina, Maranhão, no dia 13 de julho de 1920, filho de Amaro Carneiro de Sá e Odina Vasconcelos de Sá. Damasceno como era chamado por todos, tinha apenas 03 anos de idade quando chegou a Pedro Afonso. Aqui viveu sua juventude, muito bem vivida, e estudou apenas o primário. Filho único de um segundo matrimônio, porém sem regalias de criação protegida, desde cedo foi incluído na labuta dos pais. Ainda jovem, assumiu profissões das mais variadas possíveis. Convocado para a 2ª Grande Guerra Mundial (1945) chegou a ir até Belém (PA), tendo sido protegido por Deus e dispensado.

Foi músico, fazendo parte de uma das primeiras bandas de música de Pedro Afonso, tocando clarinete. Barqueiro do rio Tocantins, fazia o caminho de Porto Nacional a Belém do Pará no famoso motor Itamar, barco que lhe deu fama e equilíbrio financeiro. Também foi exímio nadador, prática que começou muito jovem a mando do pai atravessando boiadas nos rios Sono e Tocantins.

Descobriu cedo a tendência por fazenda. Em 09 de novembro de 1945 situou a Fazenda Brejinho. Preocupado em valorizar e cuidar da terra que cultivava, criou uma reserva de preservação da mata dentro de sua propriedade, pois acreditava que a Terra nos devolve o mesmo cuidado que temos com ela e nossa vida depende desse equilíbrio. Em 18 de outubro de 1946 casou-se com a também carolinense Dionea Aquino Maranhão que se tornou Sá, com quem teve quatro filhos: Ronaldo, Ermínia, Odina e João Damasceno de Sá Filho.

Acompanhando a evolução dos tempos, de barco mudou para o caminhão, sendo proprietário de um dos primeiros que por aqui apareceram. Chegou a transportar gado para Belém, já na década de 60, mercadorias para comerciantes de Anápolis para cá e o que lhe aparecesse. Damasceno, em toda sua existência nesta cidade, procurou exercer sua cidadania o máximo possível. Dava-lhe prazer participar de tudo, colaborar, criar, construir, ver crescer. Nunca teve emprego público. Muitos o identificavam como “cerveja quente”, “estopim curto”, pelo temperamento forte.

Político forte, mas em cargo eletivo foi apenas vereador, o destino não o quis para prefeito, embora tenha se candidatado duas vezes, uma delas concorrendo com seu genro José Edgar, o eleito e que não lhe deixou mágoas.

Poucas coisas de sua época não têm sua participação. A ficha de nº 01 do atual Sindicato Rural de Pedro Afonso é sua. Anos mais tarde ajudou a realizar a primeira de inúmeras exposições agropecuárias, famosas na região.

Toda a pedra da base que sustenta o Colégio Cristo Rei foi doada e carregada por sua frota de carro de bois, sem nenhum custo para a entidade. Ajudou a criar a Loja Maçônica Estrela do Planalto nº 12 junto com um grupo de Pedro Afonso e Guaraí. Logo, a construção da Loja Maçônica, na qual se doou de corpo e alma. Madeiras e cascalho, tanto para a Loja quanto para a quadra do Bancrévea, vieram da Fazenda Brejinho, carregadas em seu caminhão, o “Amarelão”, como era conhecido. Participou da criação da primeira Cooperativa Agrícola Pastoril. Parte do terreno que integra o Colégio Agrícola era uma chácara pequena, a Concórdia, patrimônio seu doado para aumentar a área.

Ao lado de Dr. Pedro Zanina, seu compadre e amigo, fizeram muitas peripécias, uma delas arrombar a porta do antigo Sesp para salvar uma vida. Foi festeiro, ao lado de figuras famosas como Ademar Amorim, Pedro Pinheiro, Dr. Pedro Zanina, Manoel Laginha e tantos outros que aqui fizeram história. Apreciava uma boa “birita”, sua especial, Velho Barreiro, tomando sempre uma dose no Bar do Didi, como era chamado a tradicional Sorveteria do Didi.

Era especialista em organizar eventos de grande porte como churrascos inesquecíveis, exemplos o da inauguração de Brasília, da festa de Libertação dos Jegues, e a inauguração da luz elétrica, estes, em colaboração com a gestão de Ademar Amorim, seu adversário político, mas grande amigo. Sempre gostou de ser pioneiro e enfrentar desafios, o que lhe dava muito prazer. Primeira lavoura mecanizada, primeiro estábulo, dentre tantas outras ações foram dele.

Acometido de enfisema pulmonar, por ser fumante exagerado, após ter derrame e infarto, partiu em 21 de julho de 1991 deixando uma grande trajetória de vida e muitas saudades. O exemplo do homem batalhador e à frente do seu tempo se faz presente de forma marcante nos dias atuais nos eventos da Fundação João Damasceno de Sá e em muitos outros campos da sociedade. (Com colaboração de Wellitânia Pereira)