Economia

EFEITO CORONAVRUS

Comerciantes relatam dificuldades com crise

25/03/2020 15h21 - Atualizado em 26/03/2020 18h07
Comerciantes relatam dificuldades com crise
Movimento era fraco no incio da tarde desta 4 na Av. Pedro Mariano dos Santos

A mudança inesperada na rotina dos brasileiros, após a pandemia do novo Coronavírus fez com que o comércio sentisse diretamente o impacto das medidas de distanciamento social, que impõe regras à abertura de estabelecimentos comerciais, realização de eventos e a diminuição do fluxo de pessoas circulando pelas ruas.

De portas fechadas e com queda no número de clientes, assim como em milhares de cidades mundo afora, os comerciantes de Pedro Afonso estão tendo que se reinventar para garantir as vendas, atrair clientes em confinamento e manter os negócios, como contou o proprietário de uma loja roupas, Davi Araújo. “Para a pequena e microempresa é um baque muito grande, pois para quase que 100% as atividades. Não estamos mais atendendo dentro da loja física, em cumprimento ao decreto municipal, mas nosso atendimento por meio das redes sociais aumentou bastante e estamos tendo um resultado positivo”, relatou o empresário.

O impacto negativo das medidas de isolamento social tem afetado, principalmente, quem depende do fluxo contínuo de pessoas em circulação na cidade. É o que revelou a dona de um dos mais tradicionais restaurantes da cidade, Iara de Sousa Veloso. “É aterrorizante, porque o comércio em nossa cidade já estava um caos. Imagine-se a beira de um abismo, esperando por socorro e, em vez disso, tudo se desmorona, qual é sua reação? É desesperador!”, lamentou ao dizer que os donos de restaurantes estão sendo “verdadeiros artistas”, para atrair clientes e oferecer pratos práticos e com requinte.

Empresário do ramo da construção civil, José Carlos Pereira Gonçalves acredita que o impacto negativo da crise será muito grande para o comércio, mais que é necessário para conter o avanço do Coronavírus. “Ainda é cedo para fazer essa análise, mas provavelmente não será fácil para o comércio de Pedro Afonso se recuperar a curto prazo, pois ainda não superamos a crise financeira que se arrasta no país desde 2016”, completou.

Já o taxista Domingos Gomes Milhomen ressaltou que num primeiro momento o isolamento causa um impacto bastante difícil. “O serviço caiu de 70% a 80%, mas não é por esse motivo que precisamos nos desesperar. Mas quando paramos para analisar a necessidade e a realidade eu concordo com as medidas, pois temos que nos precaver o máximo possível”, destacou.

Cenário preocupante
A presidente da Associação Comercial e Industrial de Pedro Afonso (Acipa), Marivalda Santiago, descreveu o cenário atual e o futuro do comércio local como preocupante.

Além de se preocupar com a saúde, devemos nos preocupar com a saúde financeira da empresa. “É uma situação muito preocupante, pois é algo que não conseguimos dimensionar ainda, pois não temos um prazo definido. A maioria dos nossos empresários é de micro e pequenas empresas e muitos empreendedores individuais, que não tem um capital de giro e uma reserva para manter o negócio”, destacou ao dizer que o cenário é “pessimista”.

Marivalda ainda frisou que é impossível, de início, mensurar as perdas locais. “A maior perda e financeira e econômica. A financeira dentro da empresa e a economia em todo o ambiente. Estamos lutando contra algo que não existe um planejamento, um roteiro ou prazo, o que é mais preocupante”, concluiu.


 

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